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ITR e DFP: o que são, o que mudam e o que olhar primeiro

A diferença entre o ITR e a DFP, o que cada um traz, os prazos e a ordem prática para ler um balanço sem se perder nas notas explicativas.

ITR e DFP são os dois formulários em que uma companhia aberta entrega suas demonstrações financeiras à CVM. A estrutura é parecida, mas periodicidade, prazo e nível de verificação do auditor são diferentes. Saber qual deles você tem em mãos muda a forma de ler.

O que cada sigla significa

  • ITR (Formulário de Informações Trimestrais): traz as informações contábeis de cada trimestre.
  • DFP (Formulário de Demonstrações Financeiras Padronizadas): traz as demonstrações financeiras do exercício social inteiro.

A diferença em uma tabela

ITR DFP
Periodicidade A cada trimestre Uma vez por ano
Prazo de entrega 45 dias após o fim do trimestre Até 3 meses após o fim do exercício, ou na data de envio das demonstrações, o que ocorrer primeiro
Trabalho do auditor Relatório de revisão especial, de menor alcance que a auditoria Auditoria das demonstrações, com relatório do auditor independente
O que compara Balanço com o fim do exercício anterior; resultado do trimestre e do acumulado do ano com os mesmos períodos do ano anterior O exercício com o exercício anterior

O ITR do último trimestre de cada exercício não precisa ser apresentado. Para uma empresa cujo ano termina em dezembro, existem ITRs de março, junho e setembro, e os números do ano inteiro vêm na DFP. O quarto trimestre isolado costuma aparecer no release de resultados, que é material divulgado pela própria empresa e escolhe o enquadramento que ela quiser.

O que há dentro

As demonstrações financeiras de uma companhia aberta incluem:

  • Balanço patrimonial: a posição em uma data, com ativos, passivos e patrimônio líquido.
  • Demonstração do resultado: receitas, custos, despesas e o lucro ou prejuízo do período.
  • Demonstração dos fluxos de caixa: de onde veio e para onde foi o dinheiro, separando operação, investimento e financiamento.
  • Demonstração do valor adicionado: quanto de riqueza a empresa gerou e como foi distribuída.
  • Notas explicativas: o detalhamento das práticas contábeis, das contas e dos riscos.

Empresas com controladas apresentam as demonstrações individuais e as consolidadas. Para analisar o negócio como um todo, comece pelas consolidadas.

O que olhar primeiro

  1. O relatório do auditor (DFP) ou de revisão (ITR). Numa opinião sem modificação, o auditor não encontrou distorção relevante. Opinião com ressalva, adversa ou abstenção de opinião são modificações e merecem leitura imediata. Um parágrafo de ênfase chama atenção para um assunto já divulgado nas notas, sem alterar a opinião. Vale procurar também menções a incerteza relevante quanto à continuidade operacional e a leitura dos principais assuntos de auditoria.
  2. Receita e lucro contra o mesmo período do ano anterior. Comparar com o mesmo trimestre de antes evita confundir sazonalidade com crescimento.
  3. Margens. Margem bruta é o lucro bruto dividido pela receita líquida, e margem líquida é o lucro líquido dividido pela receita líquida. Receita crescendo com margem caindo pede explicação.
  4. Itens não recorrentes. Veja quanto do lucro vem de eventos pontuais, como venda de ativos. Medidas "ajustadas" ou "recorrentes", e o EBITDA, não são linhas das demonstrações financeiras: são calculadas e definidas pela empresa, então confira como ela chegou ao número.
  5. Caixa e dívida. Compare o caixa com a dívida que vence em breve. A dívida líquida costuma ser a dívida bruta menos o caixa e as aplicações financeiras, mas a definição é da empresa.
  6. Fluxo de caixa das operações. Lucro que não vira caixa merece explicação.
  7. Notas explicativas. É onde ficam contingências (processos e obrigações que podem se tornar perdas), transações com partes relacionadas e eventos subsequentes, fatos ocorridos depois da data do balanço.

Armadilhas comuns

  • Ler só o release e não o ITR: o release escolhe o que destacar.
  • Olhar o crescimento percentual sem ver a base: crescer sobre um período fraco não é resultado forte.
  • Confundir lucro contábil com geração de caixa.
  • Comparar o balanço do trimestre com o do trimestre anterior, quando o ITR compara com o fim do exercício anterior.

Uma IA conectada ao Tuna pode ler os documentos e apontar essas diferenças:

Prompt
Leia o último ITR da minha empresa e me diga receita, lucro e margem contra o mesmo trimestre do ano passado, o que explica a variação e o que está nas notas explicativas que eu deveria ler.

Para os avisos que não esperam o trimestre fechar, veja o que é um fato relevante.

Base: Resolução CVM 80, arts. 27, 28, 30 e 31, e o CPC 21 (R1) para as demonstrações intermediárias. Conteúdo informativo, sem caráter de recomendação de investimento.

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